O sol do Rio de Janeiro não costuma perdoar turistas branquinhos como os dinamarqueses. Mas o jovem Martin, de 19 anos, está tranquilo. “Não dá para abrir mão do protetor, é muito arriscado”, diz o estudante.

Que o diga Fabiana Avelar: com histórico de câncer de pele na família, ela já teve que retirar dois sinais que pareciam suspeitos. Maratonista, Fabiana toma todos os cuidados antes dos treinos. “Eu passo protetor 50 no corpo todo, no rosto, 100. Não saio mais sem viseira, boné, qualquer proteção, óculos escuros”, conta a empresária.

Aplicativo diz nível de exposição ao sol em todo o país ao longo do dia

Um vendedor de praia precavido: para quem trabalha debaixo de sol todo dia, Wallace Queiroz dá o exemplo. “De mangas compridas, óculos escuro e boné. E o protetor solar está guardado, de duas em duas horas a gente passa, senão se queima muito e estraga muito a pele”, diz o ambulante.

De acordo com o Instituto Nacional do Câncer, apenas este ano deverão ser registrados – em todo o país – mais de 180 mil casos de câncer de pele. Apesar dos muitos alertas e campanhas de prevenção da doença que já ocorreram no Brasil, uma pesquisa da Sociedade Brasileira de Dermatologia revela que mais de 60% dos brasileiros não costumam utilizar protetores solares todos os dias.

“O câncer da pele é um dos que mais aumenta no Brasil e no mundo. E 99% dos casos de câncer da pele são provocados por exposição exagerada ao sol”, afirma o presidente da Sociedade Brasileira de Dermatologia do Rio, Flávio Barbosa Luz.

Para virar o jogo em favor da prevenção, a Sociedade de Dermatologia do Rio de Janeiro lançou um aplicativo de celular que divulga o nível de exposição aos raios ultravioleta em cada cidade do país ao longo do dia. O programa – que pode ser baixado gratuitamente – mostra qual o fator de proteção mais adequado para cada tipo de pele e também indica se o usuário vai precisar usar o produto com base na previsão do tempo.

O meteorologista Gutemberg França lembra que não é só na praia que há risco. “Quando mais alto você estiver, mais vulnerável você estará. Em uma região serrana o ser humano está mais exposto aos raios ultravioletas do que na beira do mar”, afirma.

O vendedor de praia protege a cabeça do sol como ninguém, mas, e a pele, seu José? “Está não, nunca está protegido do sol, tem que passar bastante protetor solar”, afirma o ambulante.

Fonte: Bom Dia Brasil/TV Globo